Escola Bíblica

O Discípulo e os Dons do Espírito Santo

11ª lição | 10 minutos


Os dons espirituais formam a base do crescimento espiritual e capacita o crente para o serviço. Seu exercício é fundamental, tanto na adoração como na edificação da Igreja. Eles podem ser classificados em três grupos: primeiro, dons de revelação: palavra da sabedoria, palavra da ciência e discernimento dos espíritos. Segundo, dons de poder: fé, dons de cura e operação de maravilhas. Terceiro, dons de inspiração: profecia, variedades de línguas e interpretação de línguas.

Texto Bíblico Base

“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (1 Coríntios 12:1)

1. DONS DE REVELAÇÃO

São assim chamados porque concedem ao crente poder para o saber. Ou seja, recebemos do Espírito Santo informações e revelações de forma sobrenatural, com a finalidade de tornar-nos capazes de conhecer o pensamento divino e a intenção dos opositores da obra divina, em certos momentos, ou para fins específicos.

1.1. A palavra da sabedoria e da ciência: A capacidade de saber e de aplicar as revelações são as principais virtudes da sabedoria e da ciência.

A palavra da sabedoria é conhecimento dado pelo Espírito que capacita o crente a perceber, falar e agir em circunstancias tais que os elementos naturais se tornam inúteis. Leia Tiago 3:17 e 1 Co 2:6-8.

A palavra da ciência ou do conhecimento também não provém de habilidades humanas. Não é adivinhação; fenômeno psíquico, perceptivo ou telepático (leia Dt 18:9-12) e nem tão pouco é o resultado de um profundo conhecimento bíblico e teológico.

A palavra da ciência é uma revelação sobrenatural que Deus concede aos crentes em certos momentos de suas vidas, com a finalidade de socorrer os seus e manifestar sua glória e poder.

As palavras da ciência e da sabedoria se completam. A primeira permite conhecer os segredos divinos; a segunda leva o crente a aplicar corretamente os conhecimentos revelados.

1.2. Discernimento de espíritos: Como as palavras da ciência e da sabedoria, o dom de discernir os espíritos é uma capacitação sobrenatural do Espírito Santo que permite conhecermos a natureza e o caráter dos espíritos. Ajuda o crente a separar o falso do verdadeiro, o puro do impuro, o santo do pecador, o joio do trigo e, especialmente, a intenção dos corações. Leia 1 João 4:1.

a. Exemplo do Antigo Testamento: O profeta Elizeu, homem de Deus, desmascarou o espírito de engano em seu servo que desejou tomar de Naamã um talento de prata e duas mudas de roupa, como pagamento da cura de sua lepra. O pobre Geazi herdou apenas a lepra. Os que compram e vendem os dons de Deus morrem leprosos, mesmo que esta doença não seja visível no corpo, inunda a alma com a imundície deste pecado, chamado de simonia (2 Reis 5:20-27).

b. Exemplo do Novo Testamento: É no Novo Testamento que este dom se manifesta em todo o seu vigor, revelando os espíritos maus e enganadores dos últimos tempos. Em Atos 16:16-18, Paulo enfrentou uma situação na qual precisou discernir os espíritos. Ele conheceu a origem daquela bajulação e expulsou o demônio em nome de Jesus Cristo. Os crentes precisam exercer este dom na atualidade, quando o espírito de mentira está em muitos lábios, tanto ou mais que nos dias dos apóstolos.

2. DONS DE PODER

Os dons de poder são: dom da fé, dons de cura e operação de maravilhas. Eles concedem ao crente meios para realizar obras espirituais entre os homens.

2.1. Os dons de cura e operação de maravilhas: Os dons de cura são concedidos como uma solução divina capaz de amenizar o sofrimento humano, através da fé em Jesus Cristo. Todas as enfermidades estão sujeitas à cura divina. Deus, de um modo sobrenatural, comunica saúde e força aos corpos afligidos.

a. Jesus deixou o exemplo: Ele dedicou grande parte do seu ministério para curar enfermos. Portanto, podia dizer aos seus discípulos: curai os enfermos. Leia Tg 5:16 e At 14:8-10.

Jesus tinha pleno conhecimento das condições do homem sem Deus. Corações quebrantados, cativos do pecado, cegos espirituais, oprimidos pelos demônios. Por isso, Ele disse em Lucas 4:18,19: O Espírito do Senhor é sobre mim, pois me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a apregoar liberdade aos cativos, e dar vista aos cegos; a por em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor.

b. Como operam os dons de curar: A Bíblia apresenta os métodos utilizados no uso dos dons de curar. Você pode vê-los especialmente no ministério dos apótolos Paulo e Pedro.

Nos casos da cura do paalítico de Betesda e de Enéias, tanto Jesus como Pedro usaram apenas uma palavra de ordem, sem oração, imposição de mãos, ou qualquer outra atitude. Jesus apenas ordenou: Levanta-te, toma a tua cama e anda. Pedro declarou: Enéias, Jesus Cristo te dá saúde; levanta-te e faze a tua cama (At 9:33,34). Leia Atos 19:11,12, Mc 8:23 e Jô 9:11-17.

c. Operação de maravilhas: O dom, também chamado de operação de milagres, prodígios e sinais, se constitui em manifestações especiais do poder de Deus que fogem às limitações humanas. São superiores e inexplicáveis. Ele demonstra o poder de Deus na realização de coisas miraculosas e extraordinárias. Na operação dos poderosos sinais que envolvem os milagres, o supremo Senhor, apenas usa da forma que ele quer as leis e forças por ele mesmo criadas em socorro dos seus filhos. Isso é milagre. Leia Gl 3:5.

2.2. O dom da fé: Implica na capacitação espiritual e sobrenatural que conduz o crente a confiar em Deus, a fim de realizar proezas em nome do Senhor.

Existe a fé natural, exercitada nas atitudes comuns do dia-a-dia, como tomar um ônibus, um avião, crendo que vai chegar ao destino. Todo homem tem fé natural.

Há a fé para a conversão. Quando se crê em Cristo como único Senhor e Salvador, exercita-se a fé que salva: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa (At 16:31). Há também a fé que se refere ao que o crente crê e confessa, e se desenvolve através da meditação e do estudo da Palavra de Deus.

Mas, no caso do dom, é a fé sobrenatural capaz de movimentar os dons de curar e a operação de maravilhas.

3. DONS DE INSPIRAÇÃO

Os dons de inspiração dizem respeito à virtude do falar, não pela mente humana mas pelo Espírito Santo.

3.1. O dom de línguas e de interpretação: A Bíblia faz menção das línguas estranhas como sinal do batismo no Espírito Santo e também como uma concessão especial, chamada de variedade de línguas ou, simplesmente, dom de línguas. Para que este edifique a igreja, é necessário que haja interpretação; caso contrário, só a pessoa que fala se edifica.

O dom de interpretar portanto, complementa o dom de variedade de línguas e deve seguir a esta manifestação, para que toda a igreja seja edificada. Leia 1 Co 14:13,18,28,39,40.

3.2. O dom de profecia: Profetizar, como dom, é falar aos homens em nome de Deus, com a finalidade de edificar, exortar e consolar (leia 1 Co 14:3). O que fala em línguas fala a Deus, a não ser que haja interprete; o que profetiza fala aos homens, da parte de Deus. A profecia é o único, entre os dons, sujeito ao julgamento da igreja. Leia 1 Co 14:29.

a. As fontes da profecia: O motivo que faz o dom de profecia sujeito ao julgamento da igreja, é sem dúvida, as suas três fontes de inspiração: o espírito humano, o espírito imundo e mentiroso, e o Espírito Santo.

A profecia oriunda do espírito humano e suas possibilidades, você encontra especialmente nos seguintes textos: Jr 23:16,21,25.

O dom de profecia não é um método humano de adivinhar a sorte, de prever o futuro, nem de tornar realidade os desejos dos crentes. Leia 1 Cr 17:1-4 e Ez 13:1-8.

A profecia do espírito imundo, cuja preocupação é imitar as obras de Deus e usar o espírito de adivinhação e lisonja, pode muitas vezes passar despercebida pela sutileza de sua manifestação. É preciso estar em sintonia com Deus, para não cair no engodo da Satanás.

b. O propósito do dom de profecia: Sendo o propósito do dom de profecia, em primeiro lugar, edificar a igreja, é natural que o melhor lugar para o seu exercício seja no local onde os crentes se reúnem para a adoração.

Para as finalidades de ensinar, instruir e dirigir, com vista ao aperfeiçoamento dos santos, Deus mesmo deu à igreja apóstolos, pastores, evangelistas e mestres (Ef 4:11,12).

O dom de profecia não é para doutrinar a igreja, instruir o pastor e nem dirigir a vida dos crentes, e sim para informar, dar a entender pelo Espírito, deixando as decisões com cada um segundo a medida da fé.

c. A disciplina do dom de profecia: É uma bênção, quando usado com a disciplina que a Palavra de Deus recomenda:

  • Todos podem profetizar (1 Co 14:5);
  • Em cada culto, apenas dois ou três devem profetizar (1 Co 14:29);
  • Dois crentes não podem profetizar ao mesmo tempo, pois criam confusão e deixam dúvidas sobre quem Deus está usando (1 Co 14:29).
  • Se um crente estiver profetizando e um segundo começar a fazê-lo também, só vai criar uma competição entre profetas. A ordem é o segundo não iniciar, antes que o primeiro termine, e, se o fizer, que o primeiro se cale. O ensino é que até três podem profetizar, um após o outro, nunca ao mesmo tempo, pois Deus não é de Confusão (1 Co 14:31,33).
  • A prova de ser espiritual e profeta é aceitar o que diz a Bíblia (1 Co 14:37-40).

Conclusão

Os dons do Espírito são os meios pelos quais os membros do corpo de Cristo são habilitados e equipados para a realização da obra de Deus. Sem os dons do Espírito, ao invés de a Igreja ser um organismo vivo e poderoso, seria apenas mais uma organização humana e religiosa.

Questionário